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De 2015 até o primeiro semestre de 2019 o cenário foi só de incertezas para quem possuía ou investiu em restaurantes, lanchonetes, bares e padarias. A crise econômica do período pegou em cheio este setor, um dos primeiros a sentir o corte no orçamento das famílias.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel Ceará), Rodolphe Trindade, de cada dois estabelecimentos que abriram nesse período, 10 foram fechados. Mas Trindade destaca o segundo semestre de 2019 como o ponto de mudança. “A recuperação da economia permitiu ao setor local respirar um pouco mais aliviado”, afirma.
Outro fator destacado por Trindade foi a redução, em 56,2%, da violência em Fortaleza nos sete primeiros meses de 2019. Este fator, segundo ele, aumentou a sensação de segurança para quem possui estabelecimentos de rua. “Esses dados geraram uma certa segurança e, o mais importante, estimularam a recuperação, fazendo o empreendedor querer investir nesse tipo de loja”, diz, lembrando que apesar de os shoppings também oferecerem esse serviço, os restaurantes e bares de rua ainda são os preferidos das pessoas.

Pequenas e médias empresas
Fortaleza possui cerca de 6 mil desses estabelecimentos e o Estado algo em torno de 20 mil, segundo dados da Abrasel Ceará. E, desse total, aproximadamente 97% são compostos por pequenas e médias empresas, com cerca de 40% localizados na informalidade. Ainda segundo a entidade, atualmente são 340 associados representando mais de 500 CNPJ´s.
O número de empregos gerados não é conhecido porque, segundo Trindade, trata-se de um meio muito dinâmico, com muitas lojas abrindo e fechando todos os dias. No entanto, destaca que o número de polos gastronômicos da cidade, antes limitados ao Centro, Praia de Iracema e Dragão do Mar, Beira-Mar, Varjota e adjacências aumentou.
Hoje, destacam-se os polos de Maraponga, Parquelândia, Barra do Ceará e Vila do Mar, Praia do Futuro, Bairro de Fátima/Benfica, Bezerra de Menezes, Jovita Feitosa, Parangaba e a área sul da cidade, desde o Iguatemi e entorno até o Lago Jacarey, Cidade dos Funcionários, Seis Bocas e Eusébio.
“O polo da Edilson Brasil Soárez, naquela região, foi um dos que mais sofreu com a crise e a Lei Seca. Muitos estabelecimentos fecharam e esperamos que retorne, assim como está retornando na Praia de Iracema”, diz.
A Lei Seca, segundo Trindade, foi um forte estimulador desses novos polos. “As pessoas não atravessam mais a cidade para ir comer uma pizza, e isso vem fortalecendo os estabelecimentos dos bairros”, comenta o presidente da Abrasel / Ceará. (Rebecca Fontes)

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